quinta-feira, 22 de julho de 2010

BRASIL 2011: PRIORIDADE DEVE SER A REVOLUÇÃO EM EDUCAÇÃO E INOVAÇÃO

(artigo também publicado no site www.economiasc.com.br)


O “gigante” continua adormecido em berço nem tão esplêndido.
O Brasil não está bem na área de educação formal pública.
Os recentes exames de avaliação promovidos pelo próprio Ministério da Educação comprovam o grande atraso da estrutura que deveria estar preparando o país para seu futuro.
O novo presidente da República, os eleitos governadores dos estados e os legisladores receberão uma herança pesada e irresponsável de seus antecessores.
São muitos os países que superaram, em curto prazo, situações de defasagem em relação a outros, devido a uma história de abandono da área educacional.
Mas o Brasil, que muito tem investido em assistencialismo e ações pontuais, começa a perceber, formalmente, o que já se sabia por meio de outras avaliações transversais de sua realidade.
A falta de uma cidadania mais ativa e controladora das ações governamentais e legislativas, a ausência de uma postura construtiva, desde primários relacionamentos de vizinhança até o resguardo dos recursos públicos, e de como são aplicados, reflete uma servidão que deságua na alienação as vezes muito desejada pelo poder.
No setor empresarial, não são poucas as oportunidades em que as carências da educação formal são denunciadas a ponto de faltar mão de obra preparada e especializada para vários segmentos que pretendem e necessitam ampliar seus quadros de pessoal.
Os diagnósticos não são novos, nem surpreendentes: professores muito mal pagos, pouco valorizados e desmotivados; falta de reciclagem, capacitações e treinamentos especializados e que os preparem para lidar com a inovação que invade as casas dos alunos e que compete com as salas de aula velhas, desaparelhadas e sem qualquer modernização de meios e recursos.
Todo o universo escolar precisa ser revisto, reavaliado e recolocado em termos de orçamento público, prioridades de aplicação de recursos e de reconhecimento pela sociedade.
Os brasileiros precisam ter orgulho de seus mestres e de seu sistema educacional.
A autoestima do país é um dado aparentemente subjetivo, mas é insumo de soberania e respeito.
O risco de uma avaliação burocrática e intramuros, como vem sendo objeto a educação no Brasil, pode nos condenar a um segmento global de segunda mão, justamente num momento histórico em que todo o mundo se ocupa em renovar conceitos de desenvolvimento associados ao saber e à inovação.
Desde as secretarias municipais, passando pelas estaduais e chegando ao mamútico Ministério, são inúmeros grupos de trabalho, grandes equipes “multidisciplinares” e elevado numero de convênios e repasses que se revelam inúteis mantenedores de atividades-meio improdutivas, e grandes gastos de dinheiro público, com resultados medíocres e sem compromisso com o produto final, que deveria ser a excelência em formação dos futuros cidadãos.
Quando um país está em fase de investimento em desenvolvimento, a importação de tecnologia e equipamentos até é compreendida como uma aplicação futura em novas indústrias e em inovadores produtos.
A preocupação é quando o país, sem estar investindo em seu futuro, começa a importar produtos com grande volume de tecnologia embarcada, somente para consumo deletério e fútil de seus habitantes.
Pior será o quadro Brasileiro se tivermos que chegar a ponto de importar mão de obra com elevados níveis de conhecimento e especialização “embarcados”.
Muitos são os pesquisadores e especialistas que recomendam mudanças radicais no que hoje se faz em educação.
Escolas mais modernas, tecnologias disponibilizadas para professores e alunos, meios e recursos presentes nas salas de aula, laboratórios de todos os segmentos incorporados ao cotidiano do processo.
Maior interação com os setores produtivos, desenvolvimento de novos produtos, associados a uma visão abrangente do mercado mundial e nacional.
A questão vocacional e os perfis ocupacionais deverão merecer foco, e atenção redobrada. Jornadas integrais, com cargas diárias de no mínimo seis horas de estudos e práticas.
Enfim, uma revolução em que só haverá vencedores, pois a Nação Brasileira será a herdeira dos resultados que nos colocarão no patamar que sempre sonhamos, mas que estamos constatando ser apenas letra de um hino.
Podemos aplicar recursos em infraestrutura, promover elevado numero de concursos públicos para aparelhar o Estado para atender a complexidade crescente de nossa sociedade, promover campanhas internacionais para captar copas do mundo e olimpíadas, mas se não tivermos a coragem e a noção de “timing” histórico, podemos condenar nossos futuros cidadãos a ficar sonhando, sempre, com um futuro melhor.
E a resposta que teremos desse mesmo mundo será impiedosa e fria, como pode ser o desprezo por quem não se valoriza ou aproveita mal as oportunidades que tem.
Já se gastou muito dinheiro público com mordomias, vantagens cumulativas para servidores, já muito bem pagos, com todas as maravilhas da decoração, prédios públicos transformados em verdadeiras pirâmides de mármores e vidros exóticos etc, que confortam gestores governamentai.
Aviões e helicópteros transportam autoridades, como se elas não devessem se conspurcar com os injustos e antigos quadros retratados no mosaico social da distante superfície sobrevoada.
Agora chegou a hora do basta.
Pode até haver dinheiro para esses deslumbrados brinquedinhos de estupefatos usuários, mas o momento e os próximos anos serão de compromisso sério e coerente com o futuro de nossa Nação Brasileira.
E esse futuro passa pela erradicação dos conceitos antigos, da corajosa ação dos novos governantes, que terão a obrigação de refazer a educação neste país, colocando-a, com letra maiúscula, nos orçamentos públicos e planos estratégicos e como objetivo permanente de desenvolvimento.
Ou continuarão a sobrevoar uma Nação que poderia ter sido e não foi.
Algo como a música, que tanto queremos negar e que fala “que o Haiti é aqui”.

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