sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os Doutores De Coração

O titulo deste texto pode parecer que gostaríamos de escrever sôbre médicos e médicas dedicados a assuntos cardíacos, puramente clínicos.
Mas a intenção é realmente falarmos sôbre médicos e médicas que trabalham de forma dedicada, carinhosa e receptiva, valorizando a qualidade de vida e a felicidade de seus pacientes.
Recentemente, fazendo um percorrido por consultórios e laboratórios, para a realização de um check-up, na cidade de São Paulo, constatei um quadro muito alentador.
Aquela cidade, por sua formação como grande centro industrial, forjou uma cultura de elevado padrão de produzir algo para alguém.
Esse aspecto, além da alta qualidade em produtos e serviços oferecidos, em todas as áreas, repercute no campo da saúde, onde se pode encontrar desde atendimento elegante e eficaz das áreas de recepção até a competência e especialização nos diversos segmentos da medicina.
No Incor do Hospital das Clinicas, o maravilhoso atendimento de todos os seus centros de exames passa a ser melhor entendido quando nos consultamos com o Dr. Fábio Fernandes, atencioso especialista, que dá uma dimensão ampla à sua profissão, quando envolve seus pacientes com desvelo a comprometimento, demonstrando a sua crença na superação graças à confiabilidade e a um padrão de humanidade que estabelece laços altamente curativos para os seres humanos;
No Centro Médico Rebouças, a maternal Dra. Rosane D'Arezzo Darrieux só tem suas bondade e carinhosa atitude ultrapassadas por sua competência técnica e pessoal.
Sua consulta é abrangente, envolvente e motivadora mostrando-nos que somos agentes ativos em nossas vidas e que podemos participar positivamente e em vários níveis na renovação de nossas caminhadas e jornadas.
A Dra. Simone Perez Pilli, do Hospital Samaritano, é de uma delicadeza única, minimizando os receios e injetando segurança, com sua suavidade e acolhimento.
Seus olhos prescrutam corpo e alma, transmitindo segurança e bons fluídos.
Cerca seus pacientes com sua tranquilidade, trazida da bela Piracicaba, cidade que trocou por São Paulo, para alegria e júbilo de quem recorre a esta gigantesca cidade, que reune pessoas tão diversas e maravilhosas.
E assim podem ser descritas essas pessoas que nos dão carinho, beleza, suavidade e compreensão.
Cuidam do campo não-material dos pacientes, com os mesmos olhos e rituais especializados, que aplicam ao usar seus conhecimentos de ponta para melhorar vidas e construir esperanças.
São, efetivamente, médicos e médicas de coração.
Trabalham com ele, atraves dele e chegam aos corações de seus atendidos.
A megalópole paulista até fica pequena e agradável, como pequenas e solidárias cidades interioranas, quando se encontram profissionais com esses perfís.
Eles provam com suas atuações humanas exemplares que o amor e a delicadeza são os principais remédios no processo de cura.
Que seus exemplos iluminem outros campos profissionais.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

BRASIL POTÊNCIA REGIONAL: MENOS GASTOS PÚBLICOS, MAIS POUPANÇA E INVESTIMENTOS E PRIORIZAÇÃO PARA A INFRAESTRUTURA


Nosso país está entre os três mais preferidos pelas grandes organizações multinacionais para receber investimentos, em todo o mundo.
Os dois primeiros são China e Índia e, com exceção dos EUA, que ocupam a quarta posição, os
emergentes estão nas primeiras cinco posições, com a Rússia na quinta.
Não é à toa essa priorização.
Os donos do capital financeiro, uma fatia de mais de um trilhão de dólares, precisam de matérias primas, commodities, e mercados internos com boas condições de oferta de crédito e consumo, como é o caso brasileiro.
Essa procura se justifica em um mundo onde o buraco ambiental começa a assustar o modelo extrativista e as escalas de produção e consumo mostram sinais de exaustão e exigem mudanças de padrão.
Por outro lado além das expansões de operações pouco ortodoxas do Banco do Brasil e do BNDES, que a pedido da Presidência da Republica financiam operações para outros países em territórios não brasileiros, o Brasil alcança uma preocupante aceleração nas importações, batendo o recorde de déficit nessa conta, importando desde têxteis da China até lustres da Áustria, fazendo com que tenhamos importado até julho de 2010 45% a mais que em todo o ano
passado.
Nossas exportações subiram somente 27% nesse período.
Foram criadas 3.883 empresas importadoras até julho, o que faz prever a soma de mais de 40.000 até o final
deste ano.
Enquanto isso, teremos menos da metade de empresas exportadoras, algo em torno de 19.200.
Esses dados aliados a mais alguns podem nos fornecer uma matriz preocupante.
Nosso investimento está em 18% do PIB, enquanto a China chega a 44%.
O Brasil poupa 15% do PIB, enquanto a China vai a 54,5% e a India chega a 31,4%.
Entre 1994 o gasto público subiu mais de 500 bilhões de reais e a mordidaTributária abocanhou 46% do PIB.
A valorização do Real e os restos da crise financeira mundial podem jogar nosso país num caminho de deslumbramento fazendo com que comecemos aassumir compromissos de país rico, quando ainda temos muitas carências essencias, de país pobre e muito desigual, para começar a
atender.
O Banco do Brasil está financiando uma operação de uma empresa Israelense na Colômbia, onde será implantada uma usina de álcool, num valor de 230 milhões de dólares.
Tudo isso para que a empresa de Israel compre alguns equipamentos da industria nacional.
Não seria mais interessante para a Nação Brasileira alocar esses recursos para a divulgação, promoção e financiamento de industrias brasileiras para que elas atingissem o patamar necessário para concorrer com as estrangeiras?
Outra prioridade brasileira, muito preocupante para a expansão de nossas atividades econômicas é a questão das estradas, das ferrovias, dos portos e aeroportos.
Além do processo de desenvolvimento econômico, os compromissos recentemente assumidos pelo Brasil com a realização de uma Copa do Mundo e da Olimpiada de 2016, nos aumentam a lista de pendências e prioridades.
A construção de um projeto de Brasil Potência terá que passar, necessariamente, ´por uma agenda positiva que contemple as efetivas e coerentes prioridades da sociedade brasileira, para evitar que nos transformemos num pesado monumento assentado sobre pés de barro.



sábado, 21 de agosto de 2010

Momento de Decisão: A Sociedade do Conhecimento E A Formação do Saber Para Colocar Nosso Estado No Terceiro Milênio



O ano de 2010 oferece à cidadania brasileira a rara oportunidade de renovar os representantes legislativos, em nível estadual e federal, os cargos de governador e presidente da República.
Esse momento encerra uma ampla possibilidade de mudança e renovação, que pode ecoar em toda a sociedade.
Que, em suma, é a essência da democracia republicana.
Renovar para inovar, mantendo a impessoalidade do processo.
Vivemos a primeira década do terceiro milênio, fase de abundante tecnologia de ponta, que disponibiliza para todos um enorme volume de informação.
A informação como insumo na formação do conhecimento é essencial, e para isso precisamos entendê-la devidamente e classificá-la para transformá-la em saber.
Esse estágio, o do saber, nos permite analisar, correlacionar, organizar dados, inferências, para que possamos tomar decisões, de forma geral, que acabam formando nosso quadro de direções e sentidos atribuídos à nossa vida.
As diversas formas de mídia existentes, jornais, rádios, televisões, redes sociais, e tantas outras, exibem o espectro informacional, oferecendo uma cobertura ampla, instantânea e ilustrada da realidade humana mundial.
Se a informação é um importante insumo, por sua abundância, não deveriam faltar decisões adequadas, e corretas, para os seres humanos.
Nesta primeira década milenar, também constatamos que a vida no globo se transformou numa grande aglomeração urbana, em busca de brilho, luzes, confortos, escalas de produção e consumo, lazer, cultura, educação, trabalho, e realização pessoal.
A calma rural, a tranqüilidade dos campos, a placidez das imensas paisagens, a direta observação dos fenômenos naturais, foram trocadas pela vida em cubículos, preço a pagar pelas menores superfícies disponíveis, pelas racionalizações de espaços e pelos valores e relacionamentos humanos criados a partir da verticalização das soluções imobiliárias e de espaços cada vez mais exíguos.
Grandes redes, em todos os níveis, servem essas concentrações, ocupando espaços subterrâneos, permitindo que várias formas de energia, redes de comunicação, informação e lazer, estejam presentes, ou pelo menos disponíveis, em quase todas as habitações e unidades comerciais.
As pessoas se movimentam em espaços crescentemente limitados, como elevadores, táxis, ônibus, metrôs, trens, lotações, e, quando conseguem, em seus próprios carros.
A par dessa realidade que se aproxima dos escritos e prospecções de Aldous Huxley e George Orwell, pelos avanços das tecnologias do século XX e da nanotecnologia do século XXI, ainda convivemos com aspectos muito prosaicos, atrasados, primários, rudes e desconcertantes para nossa atualidade.
Nosso Estado, grande fator de demonstração de uma série de primeiros lugares em produção de alimentos, de exportação, de pólos de tecnologia da informação, de grande número de campi universitários, paradoxalmente ainda exibe, também, primeiras pouco elogiáveis colocações em saneamento básico, suprimento de água potável, desnível social e concentração de renda.
Esses tópicos nos remetem, pela força de seus números, não ao século passado, lamentavelmente, mas ao século XIX, quando as sociedades, em todo o mundo, desenvolviam grandes esforços para acabar com a peste, com as contaminações e com a injustiça social, acalentadoras de oportunistas e ditadores, e fomentadoras de grandes e emotivos movimentos de massas, que no inicio do século passado foram equacionados ou resolvidos por aquelas sociedades, que se transformaram nas atuais mais desenvolvidas do mundo.
Hoje os sindicatos estão domesticados pelos dispositivos de poder, os movimentos sociais efetivos e coerentes possuem pouca força institucional para reivindicar direitos e opções para as classes menos favorecidas, e o crédito abundante, barato e aprisionante, pelo elevado numero de prestações, se transformou na grande e embriagadora mão invisível dos governos para manipular os empobrecidos na sensação de saciedade material.
Eletrodomésticos e carrinhos mil cilindradas enchem as casas e cidades, congestionando ruas e tapando os buracos das almas humanas, que não conseguem respostas para as questões mais existenciais, como a falta de cortesia, a ausência de solidariedade, as indelicadezas nas ruas e a massificação da grosseria e da violência, indiscriminadas.
Esse “salve-se quem puder” acaba sendo objeto dos consultórios médicos e psicológicos, para os que podem a eles se candidatar, e pagar, ou então para as Igrejas, que atualmente assumiram o grande papel de acalmar as almas aflitas, e desajustadas, por essa sociedade do muito ter e ou da enorme frustração de nada conseguir.
Essa grande demanda de objetos financiados, carnês com muitas folhas para pagar todo o mês, tem seu lado estruturante de uma nova economia “pujante”, apesar dos preocupantes níveis de baixa qualidade da educação, da saúde, dos transportes e da falta de serviços de segurança pública, à altura das complexas relações sociais entre os que muito tem, os que começam a ter alguma coisa e o grande contingente dos que continua nada tendo, mas muito motivados a buscar seus direitos, nem que seja pela violência física ou das armas.
A entrada no terceiro milênio, para o mundo todo, está se caracterizando pela busca imediata de novas fontes de energias alternativas para evitar o aumento do buraco ambiental e das manifestações anômalas do clima, que se altera visivelmente.
Salvar o planeta é uma emergência para que se possa caminhar rumo a uma etapa mais sábia de vida, quando se poderá aplicar todo o aprendido no século da revolução industrial, da urbanização e da ciência de ponta.
Mas continuar carregando as incompletudes estruturais, sociais, sociológicas, das chagas deixadas por administradores e governantes pouco escrupulosos de suas obrigações republicanas, éticas e morais pode gerar grande atraso para que a sociedade catarinense venha a se ombrear com outros estados, e nações, que já veem atribuindo seriedade e coerência para as gestões públicas, voltadas ao resgate real das necessidades básicas das pessoas, que passam pelas obras que há muito já deveriam ter saído do rol de promessas vazias e demagógicas de campanhas políticas milionárias, e sem continuidade.
Se os homens públicos tanto se gabam de muito viajar, e circundar o mundo várias vezes, que essa ocupação se transforme em replicação de exitosas experiências observadas em seus périplos, muito caros e de retorno discutível, quando tomam contato com dirigentes que estão efetivando os saltos qualitativos de suas sociedades.





quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Risco Ambiental E O Binômio (Probabilidade x Consequência) Diante Dos Novos Investimentos



A emocionalidade e o imediatismo são ingredientes questionáveis quando se precisa avaliar opções para investimentos, que possam envolver grandes impactos ambientais, investimentos elevados, promessas de muitos empregos e dispensa de obrigações públicas e isenções fiscais.
Mobilizações políticas e de lideranças da sociedade, ainda mais em ano eleitoral, precisariam de bom embasamento especializado técnico/científico para balizar posições assumidas e dimensionar riscos, probabilidades e conseqüências.
Nas empresas, de acordo com pesquisa divulgada por John Elkington, autoridade reconhecida mundialmente em sustentabilidade, apenas trinta por cento dos executivos estão realmente envolvidos e procurando soluções novas para a questão da ação industrial sobre o ambiente natural.
Em várias organizações os programas de responsabilidade social corporativa muitas vezes são interpretados, ou confundidos, como se a empresa adotasse práticas sustentáveis.
Também não se pode interpretar o equilíbrio entre o produtivo, o social e o ambiental, como uma política sustentável efetiva e correta.
As atividades empresariais e seus conceitos, muitos deles ainda dos séculos XIX e XX precisam se reciclar, e atualizar, para a complexidade do momento que se vive, e para o futuro que está sendo deixado para as próximas gerações.
Um dos principais aspectos a ser estudado, profundamente, antes de qualquer pronunciamento, ou aprovação de novas plantas industriais, é o relativo a um sério e abrangente estudo sobre o risco ambiental.
O risco é diretamente ligado a dois fatores fundamentais: a probabilidade de ocorrência de acidente e a conseqüência que possa decorrer.
Assim, a equação risco ambiental = probabilidade x conseqüência, nos daria uma avaliação realista de todos os fatores envolvidos, evitando a superficialidade e o imediatismo em posições assumidas.
Um investimento pode representar uma probabilidade baixa de acidentes, mas a avaliação das possíveis conseqüências danosas, mesmo de um pouco provável acidente ambiental, pode nos colocar em posição de muita cautela, pois mesmo distante da implantação, uma conseqüência pode ser muito destrutiva em termos de vidas humanas e danos ambientais.
No vale do Itajaí a ocupação, nos 20 anos depois das enchentes de 83 e 84, das encostas e topos de morros apresentou, aparentemente, baixa probabilidade de acidente por um bom tempo.
Só que as conseqüências, quando vieram, foram catastróficas e letais, em grande escala.
Os custos elevados em vidas, o abalo social e psicológico, a queda da produção industrial, o elevado custo público denunciaram, com muito atraso, que a aparente baixa probabilidade constatada nos anos oitenta, foi superada de forma surpreendente e brutal por uma conseqüência mal avaliada duas décadas antes.
Esse é outro aspecto importante.
Muitas vezes a distância cronológica entre a baixa probabilidade de acidente, na fase da implantação e a conseqüência faz com que não se estabeleça uma relação, de causa e efeito, entre esses dois fatores.
Por isso ambos devem ser muito bem estudados na fase de licenciamento de qualquer investimento, evitando que o entusiasmo imediato substitua a informação científica e de boa qualidade técnica, que poderá alertar para quadros como o que causou grande destruição em Blumenau e região em 2008, e que ainda registra metástases humanas, com pessoas e famílias vivendo em situações provisórias, e verbas prometidas, a posteriori, e ainda não repassadas de todo.
E tudo com um custo ambiental exponencial, se comparado ao que se teria investido em educação ambiental e relocação de casas e pessoas para que os morros não fossem comprometidos com a remoção da cobertura verde nativa.
Normalmente, a análise do aspecto puramente econômico deixa um bom número de lideranças e representantes políticos muito animados com as possibilidades de alguns milhares de empregos, de discutíveis valores de impostos a ser recolhidos diante das promessas das administrações municipais de renúncias ou isenções tributárias.
Muitos aspectos puramente subjetivos, como a vaidade de governantes e entidades associativas, pesam significativamente mesmo quando a prudência recomendaria a contratação de estudos altamente especializados, de técnicos e pesquisadores das nossas boas universidades e de centros de pesquisa, neutros e isentos.
O recente acidente com uma plataforma de captação de petróleo de grande profundidade, nas costas da parte sul dos Estados Unidos, é uma demonstração que a fórmula risco = probabilidade x conseqüência não foi devida e preventivamente estudada.
A tecnologia utilizada pela BP, supostamente já bem dominada ao longo de muitos anos, gerou um relaxamento na avaliação da possível conseqüência de um acidente, numa profundidade de 1.500 metros, menor que muitas outras sondas que são utilizadas em fossas marítimas mais profundas.
Os resultados ai estão, sobejamente noticiados e fotografados pela mídia mundial, que atesta o horror da destruição ambiental, numa vasta região que levará, se conseguir em sua totalidade, se reequilibrar ambientalmente ao longo de, no mínimo, meio século de bem trabalhadas providências.
E tudo a um elevado custo para os cidadãos e seus impostos.
Ou seja, os aparentes ganhos inicialmente constatados, foram apagados pela destruição em escala gigantesca.
A conseqüência, e eventuais dispositivos para combate-la, foram menosprezadas pelo investidor, e governo norteamericano, considerando que, até então, aquele tipo de probabilidade era, estatisticamente, muito baixa.
É lógico que a sociedade humana, às vésperas de contabilizar seus sete bilhões de seres sobre a face da terra, necessitando de alimento, abrigo, roupa, saúde e trabalho, precisa pensar em escalas que venham a atender esse quadro dos próximos 50 anos, quando poderemos chegar aos 9 bilhões.
Mas não podemos mais ignorar e desconsiderar que a exaustão das potencialidades de nosso patrimônio ambiental está chegando ao seu limite, diante deste modelo de escala que ai está e, que se quisermos sobreviver, como raça humana, teremos que abandonar visões ultrapassadas ou imediatistas, para construir uma nova relação de produção e consumo, que respeite as limitações de nossa Terra.
Não será muito difícil, se nos dispusermos a estudar e ouvir os cientistas e técnicos, que, há muito tempo, pesquisam e estudam o novo mundo possível.