terça-feira, 18 de agosto de 2015

O BRASIL VIVE UM FINAL DE CICLO - I



Agosto de 2015.
O Brasil está encerrando um velho e ultrapassado ciclo político e governamental, com as dores de uma crise política, que desaguou numa grave situação econômica, por experiências desastradas nos últimos 12 anos.
Apesar do governo do PT, que aí está desde 2003 ter prometido em sua “Carta aos Brasileiros”, uma gestão afinada com a nova economia mundial, de mercado e finanças vigilantes, a prática caudilhesca de seu primeiro presidente, Lula, e a sequência desastrada de sua sucessora Dilma, com seus personalismos agudos e comportamentos populistas e demagógicos, jogaram o Brasil na situação atual.
Neste mês de agosto de 2015 o mundo olha o Brasil com apreensão, e ontem, dia 11, uma agência de classificação de risco rebaixou o Brasil, aproximando-o da zona de pânico, que pode chegar em alguns meses, caso o governo insista em não cortar despesas, mas apertar a sociedade com medidas restritivas, que já geraram retração no consumo, aumento de juros, perda de muitos postos de trabalho numa grande onda de desemprego, e um encarecimento geral de preços.
Tudo o que a candidata Dilma dissera em sua campanha, de alguns meses atrás, que o Brasil nunca passaria o que está passando, se ela fosse reeleita. Foi e aí está a situação econômica sem as máscaras e pedaladas enganosas e despistadoras, que os governos usaram nos últimos mandatos, na contabilidade pública e no mascaramento da grave situação real, que agora se abate sobre o Brasil.
Ou seja, tudo com a velha política brasileira, herdeira da embromadora corte portuguesa, que sempre procurava passar a visão de uma nação maravilhosa, um gigante adormecido, de ambiente rico e inesgotável.
Apesar de alguns relatórios oficiais, ufanos e sem credibilidade, a queima da Mata Amazônica nunca foi tão abrangente, o desmatamento avança sem qualquer limite colocado pelo governo federal, a água está ficando escassa, em muitas cidades brasileiras, racionamento do líquido já é realidade, a energia elétrica, que Dilma baixara o preço, de forma discricionária e demagógica, para preparar sua reeleição, agora sobe mensalmente, em níveis inéditos, apesar da desastrada intervenção presidencial sobre o sistema elétrico, para tentar esconder sua inépcia e despreparo.
Mas tudo fruto da postura velha e superada, de agentes políticos que se diziam “progressistas”, de “esquerda”, que visavam o bem comum, e outras lorotas mais, já tão desgastadas pelos velhos politiqueiros, que sempre se aproveitaram da ingenuidade política da sociedade, para assalta-la e vilipendia-la, sem qualquer consideração, ou compromisso ético.
Os casos mais conhecidos nestes governos desde 2003, de assalto aos cofres públicos, foram o mensalão, apelidado assim por seu delator o deputado Roberto Jeferson, que entregou o esquema montado no Palácio do Planalto, e com gestão na Casa Civil da presidência do governo Lula, e que foi financiado por dinheiros do povo brasileiro, por meio do atual fugitivo da justiça brasileira, Pizzollatto, que fraudou documento de seu irmão morto para se refugiar na Itália, condenado que foi por tribunais brasileiros.
Mas a reprodução dos velhos costumes e hábitos arraigados na superficial camada legislativa e executiva dos governos nacionais, não conseguiu estancar diante do processo no STF, que durou um cinematográfico ano de duração, com lances inéditos de um Joaquim Barbosa “chicoteando” seus acomodados colegas, com postura e palavras duras, para que se postassem à altura de fazer parte da suprema corte da nação.
E nem bem terminado o primeiro ato dessa ópera bufa da corrupção sistematizada pelos governos ditos esquerdistas e progressistas, e nova situação dantesca, gigantesca, de corrupção aguda e profunda abala nosso combalido Brasil.
A Petrobras, a joia da coroa brasileira, uma empresa sólida, segura, riquíssima, com bom conceito no mundo inteiro, construído desde o ano de 1953, no governo de Getúlio Vargas, foi assaltada de forma tão violenta, vil, organizada, que está frágil e sua dívida supera sua receita em 5 anos, ou seja, se a Petrobras não pagar nenhuma conta, salários, compras, aluguéis, investimentos, ela levará 5 anos aplicando toda a sua receita para pagar os quase 1 trilhão de dívidas deixadas pelos sangue-sugas do governo, e seus asseclas privados.
E esse é o Brasil entregue pelo novo/velho partido político PT, junto com seu “condomínio partidário congressual”. Esse partido foi criado numa manobra do Gal. Golbery do Couto e Silva, chefe da casa civil de Geisel, o penúltimo general presidente do regime militar, que durou de 1964 a 1985, para que o trabalhismo, uma doutrina ideológica, democrática e gerada em teses de vários países que a experimentaram, a Inglaterra ainda tem um partido trabalhista, não viesse a cair nas mãos de Leonel Brizola, grande liderança brasileira, que tinha tudo para dirigir o PTB, que foi extinto por ato institucional autoritário, e que a partir de 1979/80, tinha tudo para ser recriado no Brasil.
O gaúcho Pasqualini foi um de seus propugnadores e pensadores, que ajudou na concepção de conceitos e programas.
O regime militar manobrou, apoiando Lula e a filha de Getúlio, Alzira Vargas, aceitando o novo registro do PTB em seu nome, preterindo Brizola, e registrando o PT, como um partido de trabalhadores, para esvaziar a liderança natural do ex-governador gaúcho sobre as correntes efetivamente trabalhistas históricas.
Essa manobra dos militares tinha por objetivo dividir e enfraquecer as oposições, tendo conseguido relativo sucesso, pelo menos no segmento do trabalho.
A recriação do PTB com controle de Alzira, e a criação de um partido de trabalhadores, o PT de Lula, ajudou na dispersão de uma corrente histórica, no Brasil, pois ocorreu a divisão dos trabalhistas.
Conseguiu e o Brizola teve que criar o PDT, mas com grande perda de militantes e uma confusão de siglas, que, depois de 16 anos de regime militar, já tinha deixado de motivar memórias e sentimentos sobre o processo partidário, que foi erradicado pelos militares com a criação de um bi-partidarismo artificial e autoritário.
E assim, depois desse pequeno retrospecto, voltamos ao ano de 2015, primeiro de uma gestão prevista para mais 4 anos de Dilma Rousseff do PT na presidência do Brasil.
Este ano ficará marcado na história brasileira como o início de um novo ciclo na vida da sociedade.
Desde 1889 o Brasil tenta implantar a sua República, que já passou por experiências parciais e capengas em seus 126 anos.
A crise, que se arrasta desde 2005, com a descoberta, investigação, e condenação de vários atores da cena política patrocinada por um “condomínio partidário” pós-2003, desemboca, agora em 2015, em novas investigações, tendo a Petrobras como agente “financiador” do novo achaque às finanças públicas.
Uma década de crise política, mas estampada nas páginas policiais, fizeram a sociedade brasileira meditar sobre seu sistema político, sobre suas praticas de gestão governamental, e sobre a postura dos cidadãos, e eleitores, diante de toda essa massa de informação, ainda não bem digerida por todos.
Os conceitos de República, já muito antigos no mundo, oferecem a noção de igualdade de todos diante de tudo, com as garantias de proteção dos hipo-suficientes diante dos hiper-suficientes.
Essa noção de justiça social, que seria implantada e mantida por um Estado justo e igualitário, nunca foi transformada em realidade cabal em nosso Brasil, pois os vícios da corte portuguesa por mais de quatro séculos plantaram suas raízes culturais nesta sociedade sub-tropical e pouco afeita aos regulamentos coletivos, desde que atendidos favores pessoais e de interesses nem sempre nobres.
Basta ver o processo de projeção de vontades pessoais e individuais sobre as necessidades coletivas da sociedade brasileira.
Se somarmos o tempo que o Brasil viveu em regime democrático, constataremos que nos 126 anos republicanos, oficiais, tivemos algo em torno de 50 anos de respeito à lei e à Constituição Federal, e um conjunto de aventuras, e tentativas autoritárias, que somam muito mais.
Não é possível analisar a sociedade brasileira somente por suas manifestações do século XX em diante, sem que façamos um mergulho em nossa história, desde o descobrimento oficial, em 1.500.
Descobrimento “oficial” na manipulação portuguesa da corte daquela época, pois seis anos antes, em 1494, o acordo de Tordesilhas já havia sido assinado entre Portugal e Espanha dividindo o Brasil em duas partes entre aqueles dois impérios.
Que descobrimento foi esse, que 6 anos atrás já tinha ocorrido um acordo internacional sobre seus limites? Como portugueses e espanhóis dividiram um mapa do Brasil que só iriam descobrir anos depois?
E assim começou a manipulação, a gestão da história e do conhecimento sobre o Brasil, o que comprova que a história sempre foi contada pelos vendedores, nas contendas mundiais.
E assim nasceu “O Mito Brasil”, embalado nas versões portuguesas imperiais, que foram implantadas até 1989, ano em que a República foi proclamada nesta nação sub-tropical.
A SEGUIR: O MITO BRASIL E A CIDADANIA DO SÉCULO XXI

HISTÓRIA – CULTURA – CRENÇAS – MITOS – CIDADANIA - DOMINAÇÃO – PODER

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O PRESIDENTE DA CUT AMEAÇA USAR ARMAS, NA RUA, PARA ATACAR ADVERSÁRIOS DO GOVERNO DE DILMA DO PT

O PRESIDENTE DA CUT AMEAÇA USAR ARMAS, NA RUA, PARA ATACAR ADVERSÁRIOS DO GOVERNO DE DILMA DO PT

O enorme título acima já nos dá uma noção da situação absurda vivida ontem no Brasil.

Um sujeito com boné da CUT, dentro do Palácio do Planalto, numa saudação presencial para a presidente Dilma, ameaçou “ir com armas para a rua para “defender” Dilma e Lula”.

Mas que país é este, que governo é este atual do Brasil, que um cidadão, dirigente de uma entidade associativa, saúda a presidente da República, dentro do palácio de governo, com a presença da presidente Dilma, faz ameaça de usar armas nas ruas e não foi admoestado pela presidente, afinal a maior autoridade do Brasil presente, e que tem o dever de defender o elenco legal de nossa sociedade?

Na mesma noite, ontem, 17 pessoas foram assassinadas a tiros, em 9km de distância entre os homicídios, em São Paulo, como demonstrando o enorme perigo dessa ameaça, e a sua banalização no dia-a-dia da população indefesa.

Uma nação que já é assolada pela violência e por assassinatos, que até nos fazem parecer estarmos em verdadeira guerra civil, ainda é brindada por uma declaração desse calibre, literalmente, por alguém que deveria já estar hoje sendo convocado para uma delegacia de polícia para explicar a sua apologia ao uso de armas.

Outro ponto que chama a atenção, foi a expressão “exército”  usurpada das forças armadas legais e regulares de nossa sociedade, usando a palavra como um complemento à ameaça do uso de armas.

Isso pode? Pode um dirigente da CUT num ato bajulatório do poder, se manifestar dizendo que usará armas e um exército contra os eventuais adversários do governo do PT?

Pode uma presidente da república calar-se ante o enunciado de uma ameaça real de uso de armas e de um exército? E tudo isso sendo pronunciado dentro do prédio oficial onde trabalha a servidora pública número um do Brasil, e que ainda é por ofício a comandante em chefe das forças armadas do Brasil?

É simplesmente inaceitável essa situação, que começa a ser esgrimida pelos áulicos e seguidores do PT e de seus governos.
O elemento que fez essas ameaças ainda complementou referindo a “defender a presidente Dilma” e o, pasmem, “presidente” Lula!!!!!!! Mas qual presidente? talvez ele se referisse ao EX-presidente Lula.

O PT, e os governos Lula e Dilma foram os que lançaram o Brasil na crise atual, gerando desemprego, inflação, crise, aumento de combustíveis e eletricidade, aumento de juros, diminuição da produção industrial, aumento da valorização da moeda americana o dólar, aumento da dívida pública, e uma série de outros descalabros no Bndes, na Petrobras, na arena Pernambuco, no ministério do planejamento onde um vereador do PT foi preso por desviar 50 milhões de reais de dinheiro público.

E agora vem esses facínoras travestidos de dirigentes de entidades de trabalhadores lançar ameaças diante das anunciadas manifestações do próximo dia 19 de agosto, quando a população vai se manifestar com críticas ao governo atual por suas incoerências, pedaladas fiscais, e toda uma série de escabrosas manobras, que visavam esconder da realidade nacional, a verdadeira causa da crise que nos assola.


Ou as autoridades tomam iniciativas para coibir o crime de ameaçar usar armas, e da omissão da presidente em ouvir calada essa absurda afirmação, ou corremos o risco de nos transformarmos na Itália de Mussolini ou na Alemanha de Hitler, pais, aliás, onde começou o movimento nazista, que teve início com um “partido dos trabalhadores da Alemanha”


quarta-feira, 29 de julho de 2015

OPERAÇÃO LAVA JATO E O PIB BRASILEIRO


A OPERAÇÃO LAVA JATO E O PIB BRASILEIRO

Recentemente, a Presidente da República aludiu a Operação Lava Jato como responsável pela perda de 1% do PIB nacional.
Essa reflexão é momentosa e oportuna.
É um dado muito interessante.

A Operação Lava Jato, felizmente, passou a fazer parte do noticiário diário no Brasil, sempre trazendo boas novas e alvissareiras notícias sobre a prisão de mais muitos corruptos e corruptores.
Desde a proclamação da República no Brasil, nunca tínhamos experimentado combate tão feroz contra o processo de apodrecimento de nossa sociedade.
Também, nunca no período de 3 gestões presidenciais consecutivas se roubou tanto e de forma tão organizada, como desde 2003, nos governos do PT de Lula e Dilma.

Se o custo de passar o país a limpo for somente 1% do PIB, já valeu a pena. Afinal, uma operação de limpeza dessa envergadura se justifica elos resultados parciais já constatados.
Estamos vivendo várias linhas de ação, que são importantes para a nossa sociedade, que com tanta impunidade já começava e dar mostras de não ter mais forças para o essencial combate à corrupção.
A expansão das investigações para além do que já se pensava ser uma imensa arrogância dos corruptos organizados, agora nos desnuda o avanço organizado sobre a área de geração de energia.

Um militar da marinha já está preso e foram encontradas provas, algumas já divulgadas, de expressivos valores pagos como propina e escorregadas extra-lei, ou seja, ilegais.
A quantidade de corruptos presos, e alguns já condenados, é tão grande que muitos já foram transferidos para um presídio paranaense.
Para um país que sempre se permitiu o “jeitinho”, que em muitas ocasiões beira a corrupção e o delito, mesmo que pequenos, aplaudir a operação Lava Jato-LJ, torna-se um momento histórico de mudança, numa sociedade que sempre foi leniente como o mal feito.

A história de nossa tardia República teve uma base colonialista e imperial, que distorceu a nossa de vida republicana e democrática. A igualdade perante a lei, a construção de uma estrutura estatal para a ordenação da conduta humana foi diminuída com a ação paternalista e corruptora, de um poder que aqui se instalou para saquear o Brasil e os brasileiros, mesmo que à custa de favores espúrios e de injustiça política e social.

Não podemos passar a vida pensando em ir morar fora, ou vendo países com vidas organizadas e cidadania respeitada, com sonhos de alcançar essas realidades.
Nosso sonho tem que ser realizado em nosso país, e para isso, se for necessário, vamos investir mais quantos “1%” forem necessários, do PIB, pois esse investimento não permitirá retrocessos e enganosos governos, que se diziam socialistas e progressistas, mas que não passaram de grandes embustes e enormes máquinas de desinformação e manipulação.
Como bons aliados do ex-presidente Sarney, os governos do PT se elegeram com a mão esquerda e governaram com a direita.

É só constar quem ganhou muito nesses governos, desde 2003. Grandes lucros para bancos e empreiteiras. E os trabalhadores e o povo recebendo migalhas assistencialistas, para serem manipulados
Como se lhes tivessem presenteado com cidadania. Cidadania não se dá de presente, cidadania se constrói com consciência e opções lúcidas, pois em todos os regimes, e governos, na história, os governos que “presentearam” as sociedades com “cidadania”, acabaram muito mal, e com grandes prejuízos para as sociedades nas quais se implantaram, pela mentira.

Aí estão os exemplos de Alemanha e Itália, com Mussolini e Hitler, que suprimiram a verdade, repetindo sempre as mesmas mentiras, de forma a tentar criar novos conceitos.
Os dois países citados foram destruídos, pelas medias enganosas e pelas guerras, que geraram.
Mentiras, corrupção, manipulação, e destruição marcham juntos. É só olhar a economia e a gestão governamental, no Brasil e em alguns outros países de nosso continente, onde a inflação dispara, e também tiros são disparados para matar investigadores, e nos quais as oposições são sistematicamente aprisionadas e perseguidas.

Viva a Operação Lava Jato-LJ e tudo o que está sendo feito para recolocar o Brasil no eixo da civilização consciente, com valores republicanos e democráticos, sob o império da lei.

O resto, e outras mentiras que tentam nos impor, não passam de lixo histórico com roupagem nova e enganosa.

terça-feira, 14 de abril de 2015

PAULO BROASSARD DE SOUZA PINTO

PAULO BROSSARD DE SOUZA PINTO,
O Brasil perde um cidadão ilustre!!!

O Jurista, Professor, Senador, Ministro do STF, Paulo Brossard de 
Souza Pinto, faleceu recentemente.
Em homenagem aos grandes serviços prestados à Democracia e à
República, foi velado no Salão de Honra do Palácio Piratini, sede do
governo do RS.
Paulo Brossard, como era conhecido e citado publicamente, teve
fundamental participação em momentos cruciais da vida da
sociedade brasileira.
Deixou saudades e muitas recordações de sua coragem, de seu
destemor, de seus compromissos com a construção da história
de nossa nação.
Faço aqui minha homenagem pessoal, e familiar, a esse homem
por tudo o que ele representou na reconstrução do regime 
democrático no Brasil.
Como testemunho pessoal, relato uma passagem da vida desse
grande brasileiro, por dizer respeito à minha família.
Em 18 de março de 1975, ocorreu uma tentativa de golpe militar
por dentro do regime que governava o Brasil.
Como já relatei em texto anterior, intitulado "Um dia, 40 anos depois...)
meu pai foi sequestrado pelo CODI-DOI, e a casa de nossa família
invadida e destroçada por 8 homens fortemente armados.
Na tarde daquele mesmo dia, percebendo que a ação era organizada
de forma a não deixar pistas, mas que fora confirmada por militares como
uma "redada" para prender pessoas que ocupassem cargos públicos, 
telefonei para o então Senador Paulo Brossard, que estava em seu
Gabinete, em Brasília.
Ele prontamente me atendeu, anotou tudo que lhe passei, inclusive o
texto do telegrama que eu já tinha despachado para o Gal. Geisel,
Presidente da República, e para o Ministro Armando Falcão, da Justiça.
E me disse: "nosso país precisa urgentemente reencontrar seu caminho
democrático, vou me pronunciar".
E  assim o fez, no dia seguinte, 19 de março de 1975, Paulo Brossard
proferiu firme e contundente discurso da tribuna do Senado, apertando
o Presidente da República, e responsabilizando-o por tudo que viesse 
a acontecer com aqueles cidadãos sequestrados por órgãos notórios
ligados à "segurança nacional".
Tão logo meu pai foi libertado, o Senador Paulo Brossard me ligou de
Brasilia avisando que iria visitá-lo em sua residência no Bairro Ipanema.
E no sábado, corajosamente, sozinho, dirigindo seu carro particular, 
foi à casa de nossa família, para solidarizar-se, pessoalmente, com meu
pai.
Perguntei-lhe se ele não sentia receio do gesto, ao que me respondeu:
"não posso ter medo de alguns algozes que desejam se apropriar do
poder no Brasil. eu fui eleito por muitos cidadãos e é a eles que devo
respeito e prestação de contas".
Tomou um café com meu pai, no terreno embaixo das árvores que
circundavam a casa, mesmo sabendo que todos estavam sendo 
filmados e fotografados pelos agentes do regime.
Esse relato se fazia necessário, mesmo que após a sua morte, para 
contar um pouco do muito que esse corajoso advogado fez por seu 
Brasil. Por nosso Brasil!!!
Só me resta registrar meu agradecimento póstumo a Paulo Brossard
e o reconhecimento, como brasileiro, por tudo que ele fez em prol da
Democracia.  
Muito obrigado Paulo Brossard, por ter nos oferecido tão significativo
apoio e ajuda, num momento de terror, que nosso país viveu.